
ÁGUA-ARRIBA, histórias de barcos e homens
Sinopse
Água-Arriba, histórias de barcos e homens
mostra, a partir de registos actuais, de
fotografias, de filmes antigos e do depoimento
de carpinteiros navais, investigadores e
especialistas em património marítimo,
pescadores, antigos barqueiros de passagem e de
água-arriba que trabalharam no rio, a
importância que as embarcações tradicionais do
rio Lima tiveram ao longo dos tempos.
Ficha técnica
REALIZAÇÃO - Carlos Eduardo Viana
PRODUÇÃO AO NORTE - Associação de Produção e
Animação Audiovisual
PRODUÇÃO EXECUTIVA - Rui Ramos
DIRECÇÃO FINANCEIRA - António Passos
CÂMARA - Ricardo Geraldes com a colaboração de
Carlos Eduardo Viana, Carlos Isaac, Carlos
Morais, Daniel Novo, Ricardo Garrido, Vítor
Martins
SOM DIRECTO - Alexandre Martins com a
colaboração de Fátima Chavarria
MÚSICA ORIGINAL - António Rafael
MONTAGEM - António Soares
GRAFISMO - Miguel Filgueiras
DESENHO DA EMBARCAÇÃO - Carlos Vieira
ANIMAÇÃO 3D - João Vieira e Edgar Barbosa
TRATAMENTO DAS FOTOGRAFIAS - Ricardo Leal
PÓS-PRODUÇÃO ÁUDIO - José Gonçalves
CORRECÇÃO DE COR - Carlos Filipe Sousa
TEXTO - Ivone Baptista
LOCUÇÃO - Carlos Duarte
DURAÇÃO - 75’
FORMATO NATIVO DVcam
COM A PARTICIPAÇÃO DE - Francisco Alves, João
Paulo Baptista, Lizuarte Balinha Correia,
Sebastião Balinha Correia, Manuel Alves
Mesquita, Fernando Ferreira, Carlos Ferreira,
Carlindo Vieira, Rosa Gonçalves Lima, Bento
Lajoso de Castro, António Ferreira (Rebolo),
José Amorim Torres, Matias Mendes (Batelada),
João da Rocha Lima, Afredo Lamas (Badalheiro),
Manuel Mendes (Batelada), José Cambão, Rosa
Delmina Agra Rio, Rosa de Araújo Gomes e Maria
do Carmo Pereira de Castro.
Viana do Castelo tem a sua história ligada ao
Atlântico e ao rio Lima. Fruto dessa ligação com
o rio e o mar, as embarcações tradicionais foram
ao longo dos tempos, e em alguns casos ainda o
são, auxiliares preciosos das populações
ribeirinhas nas actividades ligadas à pesca, ao
transporte e à agricultura.
No Lima encontrávamos os barcos grandes, um dos
mais emblemáticos barcos de trabalho de rio, o
água-arriba, também conhecido por riba-acima, ou
simplesmente barco, e as barquinhas. Os grandes,
transportavam materiais e “faziam as feiras”, as
barquinhas passavam as pessoas de uma margem
para a outra do rio e eram utilizados na pesca.
Era dos principais ancoradouros do rio que
partiam os barcos para as duas feiras mais
importantes: Ponte de Lima e Viana. Partiam na
hora da maré para aproveitar a corrente da água
e sempre que o vento podia ajudar usavam a vela.
Os compartimentos disponíveis eram ocupados
pelos animais, pelas mercadorias e pelas
pessoas.
Quando chovia, uma barraca improvisada com um
oleado, na parte traseira do barco, protegia as
pessoas e as mercadorias. Os barqueiros vinham à
chuva, porque tinham que manobrar o barco.
Numa época em que predominavam os carros de bois
e de cavalos e em que a camionagem era
incipiente, os barcos do Lima resolviam a
situação dos transportes. A madeira e o vinho do
vale eram escoados nestes barcos, e o sal, a
cal, os adubos, o sulfato e o enxofre chegavam a
casa dos lavradores via fluvial.
Inúmeros portos fluviais serviam de apoio aos
barcos e a ligação das margens era feita nas
chamadas barquinhas de passagem que eram puxadas
à vara. A capitania do porto atribuía o direito
da concessão e estabelecia os preços de cada
viagem.
Num tempo em que as populações voltam cada vez
mais as costas ao rio, e em que os pescadores
artesanais desaparecem à medida que as espécies
que capturam vão rareando, as embarcações
tradicionais seguem o mesmo caminho. Postos fora
de serviço pelo progresso e pelas mudanças
socioeconómicas que têm modificado as condições
de vida da região, a maior parte destes barcos
apodrecem esquecidos nas margens dos rios, e
muitos não passam já de uma memória do nosso
património fluvial.
Construídas de forma artesanal com técnicas que
passaram ao longo de gerações, estão condenados
a um lento desaparecimento e a serem
substituídos por barcos em contraplacado
marítimo, alumínio e fibra de vidro.
Os pequenos estaleiros navais que, no início do
século, construíam e reparavam essas embarcações
quase desapareceram e muitas já apresentam
modificações que as alteraram totalmente.
A identidade cultural das populações ribeirinhas
do vale do Lima está indissociavelmente ligada
aos barcos que concebeu e produziu e a que
emprestou características que hoje os tornam
únicos. Foi para registar a memória desse
património fluvial, que percorremos o rio Lima
em busca de histórias de barcos e homens,
procurando contribuir para a divulgação da sua
importância e preservação.
