Trabalhos de Casa

Exibição do mais recente documentário produzido pela AO NORTE.

Teatro Municipal Sá de Miranda

6 de Maio 21h30

 

 

ÁGUA-ARRIBA, histórias de barcos e homens

 

Sinopse
Água-Arriba, histórias de barcos e homens mostra, a partir de registos actuais, de fotografias, de filmes antigos e do depoimento de carpinteiros navais, investigadores e especialistas em património marítimo, pescadores, antigos barqueiros de passagem e de água-arriba que trabalharam no rio, a importância que as embarcações tradicionais do rio Lima tiveram ao longo dos tempos.
 
Ficha técnica 
REALIZAÇÃO - Carlos Eduardo Viana
PRODUÇÃO AO NORTE - Associação de Produção e Animação Audiovisual
PRODUÇÃO EXECUTIVA - Rui Ramos
DIRECÇÃO FINANCEIRA - António Passos
CÂMARA - Ricardo Geraldes com a colaboração de Carlos Eduardo Viana, Carlos Isaac, Carlos Morais, Daniel Novo, Ricardo Garrido, Vítor Martins
SOM DIRECTO - Alexandre Martins com a colaboração de Fátima Chavarria 
MÚSICA ORIGINAL - António Rafael
MONTAGEM - António Soares
GRAFISMO - Miguel Filgueiras
DESENHO DA EMBARCAÇÃO - Carlos Vieira
ANIMAÇÃO 3D - João Vieira e Edgar Barbosa
TRATAMENTO DAS FOTOGRAFIAS - Ricardo Leal
PÓS-PRODUÇÃO ÁUDIO - José Gonçalves
CORRECÇÃO DE COR - Carlos Filipe Sousa
TEXTO - Ivone Baptista
LOCUÇÃO - Carlos Duarte
DURAÇÃO - 75’
FORMATO NATIVO DVcam
COM A PARTICIPAÇÃO DE - Francisco Alves, João Paulo Baptista, Lizuarte Balinha Correia, Sebastião Balinha Correia, Manuel Alves Mesquita, Fernando Ferreira, Carlos Ferreira, Carlindo Vieira, Rosa Gonçalves Lima, Bento Lajoso de Castro, António Ferreira (Rebolo), José Amorim Torres, Matias Mendes (Batelada), João da Rocha Lima, Afredo Lamas (Badalheiro), Manuel Mendes (Batelada), José Cambão, Rosa Delmina Agra Rio, Rosa de Araújo Gomes e Maria do Carmo Pereira de Castro.
 
 
 
 
Viana do Castelo tem a sua história ligada ao Atlântico e ao rio Lima. Fruto dessa ligação com o rio e o mar, as embarcações tradicionais foram ao longo dos tempos, e em alguns casos ainda o são, auxiliares preciosos das populações ribeirinhas nas actividades ligadas à pesca, ao transporte e à agricultura.
No Lima encontrávamos os barcos grandes, um dos mais emblemáticos barcos de trabalho de rio, o água-arriba, também conhecido por riba-acima, ou simplesmente barco, e as barquinhas. Os grandes, transportavam materiais e “faziam as feiras”, as barquinhas passavam as pessoas de uma margem para a outra do rio e eram utilizados na pesca.
Era dos principais ancoradouros do rio que partiam os barcos para as duas feiras mais importantes: Ponte de Lima e Viana. Partiam na hora da maré para aproveitar a corrente da água e sempre que o vento podia ajudar usavam a vela. Os compartimentos disponíveis eram ocupados pelos animais, pelas mercadorias e pelas pessoas.
Quando chovia, uma barraca improvisada com um oleado, na parte traseira do barco, protegia as pessoas e as mercadorias. Os barqueiros vinham à chuva, porque tinham que manobrar o barco.
Numa época em que predominavam os carros de bois e de cavalos e em que a camionagem era incipiente, os barcos do Lima resolviam a situação dos transportes. A madeira e o vinho do vale eram escoados nestes barcos, e o sal, a cal, os adubos, o sulfato e o enxofre chegavam a casa dos lavradores via fluvial.
Inúmeros portos fluviais serviam de apoio aos barcos e a ligação das margens era feita nas chamadas barquinhas de passagem que eram puxadas à vara. A capitania do porto atribuía o direito da concessão e estabelecia os preços de cada viagem.
Num tempo em que as populações voltam cada vez mais as costas ao rio, e em que os pescadores artesanais desaparecem à medida que as espécies que capturam vão rareando, as embarcações tradicionais seguem o mesmo caminho. Postos fora de serviço pelo progresso e pelas mudanças socioeconómicas que têm modificado as condições de vida da região, a maior parte destes barcos apodrecem esquecidos nas margens dos rios, e muitos não passam já de uma memória do nosso património fluvial.
Construídas de forma artesanal com técnicas que passaram ao longo de gerações, estão condenados a um lento desaparecimento e a serem substituídos por barcos em contraplacado marítimo, alumínio e fibra de vidro.
Os pequenos estaleiros navais que, no início do século, construíam e reparavam essas embarcações quase desapareceram e muitas já apresentam modificações que as alteraram totalmente.
A identidade cultural das populações ribeirinhas do vale do Lima está indissociavelmente ligada aos barcos que concebeu e produziu e a que emprestou características que hoje os tornam únicos. Foi para registar a memória desse património fluvial, que percorremos o rio Lima em busca de histórias de barcos e homens, procurando contribuir para a divulgação da sua importância e preservação.