ao norte

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA 3D


25 de abril a 21 de maio . Antigos Paços do Concelho e Galeria da Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo / Praça da República


Lisbon Revisited


PHOTO-LITURGYA LISBOETA E KINO-EXORCISMO PESSOANO DE EDGAR PÊRA


"Lisbon Revisited - Photo-Liturgya Lisboeta & Kino-Exorcismo Pessoano", é a mostra que marca a incursão de Edgar Pêra no universo das artes plásticas, aqui tendo por suporte a fotografia em formato 3D.

Sob o manto fantasmático de Fernando Pessoa, o autor convida-nos a embarcar numa viagem onírica, entre a arte de ver, de sentir e o vício de pensar.

Nesta mostra, Edgar Pêra expressa a profunda afinidade que sempre declarou encontrar entre a sua obra cinematográfica e as artes plásticas, sem esquecer a literatura e, de forma muito particular, a fotografia que aqui assume como suporte narrativo exclusivo, dando-lhe contornos tridimensionais através da construção imagética com recurso à técnica anaglífica.


Edgar Pêra

n.1960 Lisboa

A primeira fase da obra de Edgar Pêra, iniciada nos anos oitenta (mais de uma centena de trabalhos para cinema, tv, net, espectáculos, galerias, eventos e trans-media) encontra o seu expoente em A Cidade de Cassiano (Grand Prix Films D’architecture 1991). A sua primeira longa-metragem Manual de Evasão LX 94 (Lisboa Capital da Cultura 1994), articula uma estética herdada do cinema mudo cine-cosmopolita e um modo de captação instantânea da realidade. Pêra retrata temas como o Trabalho, o Tempo, a Liberdade, a Realidade e a Alienação. Debruçando-se sobre a vida e/ou obra de pensadores e artistas como Agostinho da Silva, Alberto Pimenta, Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, António Pedro, Carlos Paredes, Dead Combo, Fernando Pessoa, H.P. Lovecraft, João Queiroz, Lydia Lunch, Madredeus, Manuel João Vieira, Manuel Rodrigues, Maria Isabel Barreno, Miguel Esteves Cardoso, Paulo Varela Gomes, Pedro Ayres Magalhães, Rudy Rucker, Robert Anton Wilson, Souto Moura, Terence Mckenna... Muitos desses filmes foram auto-financiados, realizando também “filmes de autor” por encomenda. No final do século XX termina A Janela (Maryalva Mix) (Festival Locarno 2001) e a partir daí a montagem plástica associa-se às emoções (O Homem-Teatro - Festival de Locarno 2002). Em 2004 tem uma retrospectiva no World Wide Video Festival e em 2006 no Indie Lisboa, onde Movimentos Perpétuos (Prémio Público, Melhor Filme e Fotografia Indie Lisboa 2006). Para a retrospectiva Olaf Moller escreveu “Sobre Edgar Pêra pode certamente dizer-se “muito diferente daquele que vemos como ‘correcto’, ‘válido’ dentro da cultura do cinema, ‘realista’ no sentido cinematográfico e sócio-político. Mais precisamente: Edgar Pêra é diferente de tudo o que sabemos sobre Portugal.” Ainda em 2006 em Paris, Pêra vence o prémio Pasolini pela sua carreira, juntamente com Alejando Jodorowsky e Fernando Arrabal. No ano seguinte realiza uma longa-metragem auto-financiada, Rio Turvo (IndieLisboa 2007, Cork Festival), uma adaptação de um conto de Branquinho da Fonseca. Já com outra adaptação deste escritor, O Barão pôde fazer pela primeira vez uma longa-metragem em condições iguais às dos seus pares nacionais. O filme estreou em 2011 e foi exibido nos Festivais de Roterdão, Basel, Wroclaw, Busan, São Paulo, Luanda, Roménia, EUA, etc. e foi nomeado ou ganhou prémios em diferentes categorias. Nesse mesmo ano teve a sua maior retrospectiva, no Festival de Cork. Em 2010 estreou Punk Is Not Daddy, documentário independente sobre música portuguesa - baseado nos seus extensíssimos arquivos pessoais. Iniciou nesse mesmo ano uma intensa pesquisa no formato 3D. É co-autor de 3x3D (Cannes 2013), longa-metragem antológica em 3D, em conjunto com Jean-Luc Godard e Peter Greenaway (segmento Cinesapiens). Realizou entretando outros filmes 3D: A Caverna (Vila do Conde) e Stillness (Oberhausen) e Lisbon Revisited, (Locarno). Estreou em 2014 Virados do Avesso, o seu primeiro filme a ultrapassar os 100.000 espectadores. No ano de 2015, estreou o documentário no formato 3D O Espectador Espantado (Roterdão IFF). Em 2016 estreou a longa-metragem no formato 3D, Delírio em Las Vedras (Roterdão IFF e Mostra Internacional de Cinema de São Paulo). A sua mais recente longa-metragem Caminhos Magnéticos encontra-se em fase de pós-produção, com estreia prevista em 2018.