Organização: AO NORTE, ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ANTROPOLOGIA
Coordenação: Amaya Sumpsi, Daniel Maciel, Inês Ponte, Teresa Fradique
O I Encontro de Antropologia Visual da Montaria pretende ser um espaço informal de encontros, colaborações e parcerias; um lugar para discutir diversas formas de fazer cinema convidando antropólogos, artistas e colectivos que exploram os diversos territórios naturais e humanos de Portugal através de uma linguagem humanista, sonora e/ou visual.
Queremos, também, que este encontro sirva para nos conhecermos e convivermos num ambiente familiar, partilhando conversas, tendas de campismo, camaratas e mesas de almoço cheias. O programa é simples: faremos caminhadas pela zona de Montaria pela manhã, banhos no rio, almoços comunitários, conversas e partilhas de trabalhos à tarde, e cinema de verão no largo da aldeia à noite.
Para este primeiro encontro, convidamos também vários colectivos de cinema que trabalham em moldes e/ou territórios periféricos para se juntarem a nós: teremos a sorte de contar com o Colectivo Cinema na Mula (Barreiro); Colectivo Gato Aleatório - Oficina Movimento de Cinema (Serra do Gerês), e Royal Cine (Lisboa).
Traz o diário de campo, um fato de banho para mergulhar no rio, e junta-te a nós!
Recepção e acolhimento dos participantes
LANÇAMENTO DE LIVRO Cartografia Afetiva da Montaria
+ Infode Catarina Alves Costa
Sinopse(Fundo de Fomento Cultural)
A visita a este património permite conhecer um importante elemento da história rural da região, compreender as estratégias tradicionais de convivência com a fauna selvagem e apreciar a riqueza paisagística que envolve este local. Mais do que uma estrutura de caça, o Fojo do Lobo representa a memória coletiva de um modo de vida profundamente ligado à serra e às suas tradições.
A partir da apresentação de vários trabalhos audiovisuais, esta conversa propõe um espaço de diálogo sobre diferentes formas de abordar o território através do cruzamento entre cinema, antropologia, artes visuais e investigação.
Entre paisagens, comunidades e ecologias, discutiremos modos de olhar, escutar e criar, refletindo sobre as relações que ligam os territórios naturais e humanos.
Com: Felipe Mardones - Seguir o vento após o futuro: ecologias e ecologização numa geografia eólica pioneira Teresa Costa / Amaya Sumpsi - Ir à Maré: projecto de documentário colectivo sobre a ilha da Culatra, Parque Natural Ria Formosa Cláudia Ribeiro - "A terra faz o Homem". Residência Artística Futuram Alentejo … e mais participações a anunciar!
A agricultura camponesa é a aplicação prática de uma profunda racionalidade ecológica. Na apropriação diversificada do território e dos seus recursos, diferentes práticas produtivas, formas de maneio, tecnologias endógenas e conhecimento foram acumulados historicamente, num longo processo de interação e coevolução entre cultura e natureza. A domesticação e a diversificação de cultivos, variedades e raças autóctones de animais que conhecemos são um exemplo de resultado deste processo, no qual se multiplicaram as dietas, sabores e culturas que também nos fizeram e socializaram como espécie. Agro-culturas metabolicamente vinculadas ao território, num maior fecho de ciclos de materiais, água e energia, em chave de eficiência e autonomia.
A modernização agrária e a ideia de progresso vieram romper estas ecologias e desagrarizar os territórios rurais, desmantelando a agricultura a pequena escala e desapossando as suas gentes das práticas, usos e conhecimentos necessários para a reprodução dos próprios agroecossistemas. Aos desafios das múltiplas perdas, do abandono e renovação da atividade, e da gestão do território, somam-se atualmente os processos de turistificação ou de sacrifício de alguns lugares, como parte de novas (e velhas) lógicas extrativas e de acumulação de capital.
Apostar por recuperar, fortalecer e pôr no centro as agro-culturas que nos sustentam é assegurar o futuro. No encontro deste ano convidamos experiências concretas, no que são formas de vida, trabalho, organização comunitária/cooperativa, e onde se mantêm, recuperam ou readaptam diferentes práticas, técnicas e saberes que nos remetem para as agroecologias camponesas. De que forma e porque o fazem, como se sustêm, que desafios encontram. Desde o subir com os animais ao monte ao próprio ato de guardar semente para o ano seguinte. Gestos com a terra que são reflexo e desejo de ruralidades agrárias vivas e em resistência.
Participantes: Aida Fernandes - Agricultora e criadora de gado em Covas do Barroso. Presidente do Conselho Diretivo dos Baldios de Covas do Barroso e membro da Unidos em Defesa de Covas do Barroso María Osorio e Iago Vilar - Gandeira e gandeiro com pastoreio extensivo em Becerreá (Lugo) e Meire (Allariz). Responsáveis do sector da carne do Sindicato Labrego Galego João Brandão Rodrigues - Veterinário e Presidente da Associação Portuguesa de Tração Animal APTRAN Simón Ubeira - Agricultor em O Alcouve da Moura, cooperativa de agricultura ecológica no Rosal. Paula Oliveira - Gestora cultural e coordenadora do projeto Cabril Eco Rural e da oficina Roca Viva no Gerês
Moderação: Aurora Santos - Estrume à leira
de Emilio Fonseca Martín
SinopseA partir da partilha de experiências de colectivos e projetos desenvolvidos em diferentes territórios, esta conversa explora as ecologias da criação: as redes, relações e formas de colaboração que tornam possível fazer cinema em conjunto.
Entre práticas cooperativas, iniciativas periféricas e processos de criação partilhados, refletiremos sobre modos de fazer que valorizam a comunidade, a experimentação e o enraizamento nos territórios.
Com: Sebastião Braga, Catarina Simões e Rui Monteiro - Gato Aleatório - MOVIMENTO: Oficina Colaborativa de Cinema Catarina Simões - Cinema na Mula - Barreiro Teresa Costa e Hugo Soares - Royal Cine – Lisboa Daniel Maciel - AO NORTE - Viana do Castelo Cláudia Ribeiro - Rua Escura - Cursos de cinema Nebulosa- Porto
por Hellington Vieira
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